Participação e democracia em ambiente escolar em debate no XIV Encontro Nacional de Educação para a Cidadania Global

Professores, alunos e outros agentes do sistema educativo reuniram-se no sábado passado para debater e experimentar diferentes formas de participação democrática envolvendo crianças, jovens e adultos. Tudo em nome da melhoria da Escola, no XIV Encontro Nacional de Educação para a Cidadania Global.

Participação, Cidadania e Escola – Jovens e adultos em reflexão foi o mote escolhido para o encontro, promovido pela Rede de Educação e Cidadania Global (ECG) na Escola Superior de Educação de Lisboa. O primeiro momento foi de diagnóstico para os intervenientes.

“Toda a gente pode ter uma participação diferente, mas participar é muito importante para o desenvolvimento das pessoas e para estas saberem comunicar umas com as outras”, refere Pedro Pereira, aluno do 9º ano da Escola D. Martinho Vaz de Castelo Branco, que vem acompanhado de uma professora e uma colega da mesma escola, da Póvoa de Santa Iria.

A afirmação é corroborada na síntese dos trabalhos da manhã: nem todos os actores escolares participam de igual forma ou têm a mesma visibilidade. Alunos, professores, encarregados de educação e assistentes operacionais não têm a mesma voz, nem participam da mesma forma nos processos de tomada de decisão da escola. Ao mesmo tempo, a participação dos diferentes grupos não tem a mesma intensidade durante todo o ano lectivo e escolas diferentes configuram graus de participação distintos, consoante o contexto específico em que se encontram.

Para essa realidade contribuem diversos factores, como “o peso dos currículos, a legislação, um formalismo muito grande e a própria hierarquia, desde o Ministério da Educação até cá abaixo”, resume em plenário Cecília Fonseca, do Centro de Intervenção para o Desenvolvimento Amílcar Cabral (CIDAC), membro da Rede ECG.

Vasco Azinheiro, professor do 3º ciclo, concorda que os professores estão por vezes limitados e chama a atenção para a importância do papel das Direcções de Escola. “É essencial para a liberdade que temos ou não temos. O Ministério [da Educação], no fundo, é quem acaba por impor o caminho. Mas depois a Direcção, se dá oportunidade e defende o professor, nós conseguimos ser mais abrangentes e tocar outros assuntos e outros temas. Se tivermos que seguir imposições, a coisa é muito mais limitativa.”

Aumentar a participação e alargá-la a todos os grupos presentes no espaço escolar, permitir que quem tem estado excluído possa fazer ouvir a sua voz e integrar os processos de tomada de decisão, são objectivos que foram enunciados várias vezes ao longo do encontro, por diferentes participantes.

O caminho para atingir estes objectivos é específico a cada escola. A proposta da Rede ECG foi que professores, alunos e restantes agentes educativos pudessem ter contacto com diferentes experiências de participação envolvendo crianças e jovens. Conforme dá conta Sandra Fernandes, da Fundação Gonçalo da Silveira (FGS), que integra a rede: “as oficinas previstas apresentam exemplos concretos que não estão fechados em si mesmos, mas que servem para despoletar a conversa sobre possíveis soluções de como promover a participação e a democracia nas escolas”.

“Trazer o coração para a escola”, como propõe o projecto ComParte, para o qual a afectividade constitui uma dimensão fundamental para melhorar o ambiente escolar; ou “desenvolver competências sócio-emocionais estando na natureza”, como sugere a Escola da Floresta; foram algumas das experiências que os participantes do encontro puderam conhecer durante a tarde.

Outras oficinas dinamizadas foram Movimento da Escola Moderna, Rede de Escolas de Democracia Participativa, Escolas Ubuntu, Rede Inducar e Movimento da Greve Climática. Se os mais jovens revelam maior interesse pelos temas do ambiente e do clima, as diferentes experiências educativas sugerem caminhos possíveis para o trabalho dos professores.

Vou querer fazer a formação porque acaba por ser uma mais valia. Não só para mim, enquanto pessoa, mas também para levar aos jovens. Nós às vezes temos alunos com características muito próprias que precisam de respostas diferentes do sistema educativo”, considera em jeito de balanço final Fátima Ferreira, professora de Português como Língua Não Materna que participou na Oficina das Escolas Ubuntu.

A Rede ECG, conforme o referencial fundador disponível no seu website, é uma estrutura informal de educadores e organizações da sociedade civil que intervêm no sistema escolar, que tem como missão “interligar e motivar diferentes actores em contexto escolar para as práticas e a disseminação de conhecimentos da Educação para a Cidadania Global”.

Entendemos a Educação para a Cidadania Global como um processo educativo que contribui para a formação de cidadãs e cidadãos responsáveis e comprometidos com a construção de sociedades mais justas, equitativas e solidárias num planeta sustentável e que se baseia na coerência entre os valores e as propostas, os objectivos e as estratégias, o discurso e a prática, o conteúdo e a forma.

Rede ECG

A Rede constituiu-se em Outubro de 2013 e conta actualmente com cerca de 90 membros.

Gustavo Lopes Pereira (texto e fotos)

Written by Âmago

Desenvolvimento. Media. Cultura.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: