Entre óleo de correntes de bicicleta, algumas minis e muita conversa, no passado dia de 19 de janeiro, na Sociedade Musical Alunos de Alves Rente, nasceu a Cicloficina Comunitária da Junqueira, um projecto de mobilidade urbana promovido por Hugo Cruz Marques e Nuno Mexa.  A Âmago esteve à conversa com Nuno Mexa para saber mais sobre esta ideia.

O que é a Cicloficina Comunitária da Junqueira?

A Cicloficina Comunitária da Junqueira foi uma ideia que nós tivemos de replicar as outras cicloficinas que já existem em Lisboa e no país. Uma cicloficina comunitária é uma oficina que pode ser acedida por qualquer pessoa que queira vir reparar as suas bicicletas. Tem um conceito diferente das lojas de bicicletas normais, onde as pessoas vão e pagam pelo serviço. Aqui as coisas são feitas gratuitamente. É um grupo de voluntários que de disponibiliza para ajudar a reparar as bicicletas e tenta ensinar como é que se pode fazer a sua manutenção e reparação. Para além disso, o espaço também pode servir para incentivar as pessoas a andar de bicicleta na cidade, não só numa perspectiva de lazer.

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Porquê a bicicleta?

Porque é uma coisa importante para nós. Nós conhecemo-nos através da bicicleta, nos nossos trajectos de casa trabalho, e é uma coisa que gostamos de fazer, não só em termos utilitários, mas é uma coisa que nos dá bastante prazer e achámos que era uma coisa engraçada de fazer aqui no nosso bairro.

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Têm algum tipo de relação com outras cicloficinas?

Sim, nós pedimos ajuda à Cicloficina dos Anjos, que foi a primeira cicloficina aqui em Lisboa. Eles já têm bastante experiência. É uma cicloficina que já funciona duas vezes por semana. Têm bastantes voluntários. E entrámos em contacto com eles para nos darem algum apoio. Cederam-nos um stand para segurar as bicicletas, uma caixa de ferramentas e dão-nos aqui algum apoio. Neste momento estão duas pessoas presentes na inauguração. É bom, para nos dar uma ajudinha.

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Qual é a vossa expectativa relativamente à adesão das pessoas ao projecto?

Isto é uma coisa nova para nós, mas esperamos que venha a ter muita adesão. Pelo que sei, a Cicloficina dos Anjos tem uma participação muito grande. Há muitas pessoas a aparecer. Esperemos que aqui também. Vamos ver. Tentamos também criar aqui alguma dinâmica de bairro, para as pessoas poderem vir aqui conviver um bocado.

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A bicicleta é uma alternativa viável para o transporte urbano?

Sim, sem dúvida. Eu já uso a bicicleta há cerca de 10 anos nos meus percursos casa-trabalho, mesmo quando vivia no Barreiro usava a bicicleta para ir para o trabalho, no Lumiar. Sem dúvida, a bicicleta é um meio de transporte tão válido quanto outro. Aliás, para mim até é o mais conveniente: é o mais rápido, é o mais prático. É o meu meio de transporte.

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E a relação dos ciclistas com os automobilistas?

Há algumas regras que temos que seguir. Alguns cuidados que temos que ter: circular mais no meio da via, tentar manter sempre contacto visual com os automobilistas, sinalizar bem as manobras, esse tipo de coisas que ajudam a circular em segurança. Penso que cada vez há mais pessoas a usar a bicicleta e as pessoas acabam por ver as coisas de uma forma natural. É mais um veículo que está na estrada.

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Entrevista e fotos por Guto.

Written by amagomedia

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